quinta-feira, 4 de julho de 2013

Apague essa maldita luz do dia. Acenda as estrelas azuis.

Cento e quarenta e oito cigarros , vinte e três latas de cerveja, três garrafas de tequila, e oito bolinhas amassadas de sentimentos. Até agora, seis baratas já caminharam em meio a sujeira, senão mais, sendo que Smith não vê como poderia conta-las enquanto dorme.
São quatro da tarde, porem, em consequência  de uma cortina azul-marinho, comprada impulsivamente em uma feira Hippie, bordada com dezenas de estrelas brancas, o quarto de Smith é banhado por uma espécie de aura calma e doce. Isso o incomoda. Sua alma já não sabe, ao certo, o que é a paz desde que entrou neste quarto.
Já sua mão, tateia o lápis pela ultima vez, tentando escrever algo que sua mente insana crie, e traga à ponta de seus dedos estes versos indizíveis. Porem, não sabe por quanto tempo conseguirá manter seu cérebro em pleno funcionamento. Ele ri deste paradoxo: finalmente sua mente consegue criar algo que seja bom, algo que está para expressar em palavras tudo o que ele sente. o "nada". Mas ao tempo em que isso acontece, a Linamarina já esta tomando suas veia.  Pensar nisso lhe causa gargalhadas. Gargalhadas profundas, e asmáticas. Tosse continuamente, mas não sem antes, entrar em mais uma crise de riso.
Seu corpo dói a cada contração. E finalmente, quando rir torna-se dolorosamente cruel para consigo, Smith obriga seu corpo a caminhar em direção ao outro lado no cômodo, onde habita sua cama, mas não sem antes sentir seus dedos esmagar uma de suas companheiras.
Menos uma baratinha para me perturbar nesse momento...- diz ironicamente. Senta-se em sua cama, quase sem forças, pega seu lápis em meio aos cigarros, e seu caderno.

"O dia e a noite,
O começo e o fim.
O medo e a coragem,
O mundo em mim.
O certo e o errado,
O não e o sim.
A prece e o pecado,
o suco e o Gim.
O coração poeta
e o pulmão de um "normal".
Uma alma incompleta,
enquanto mil se perdem no jornal.
O vagar incerto do boêmio em noites longas,
e o andar confiante do empresário e seus segredos.
O rabiscar incoerente de uma criança em seu caderno
e o correr de uma pena que ainda guarda medos.
O chão, a cama.
A calma, e a impaciência.
A agua e a chama.
O medo da decência.
Todos opostos,
todos ligados,
Todos em mim.
Não mais...."

Cabeça dói, corpo também. O lápis cai, e mistura-se novamente aos cigarros. O mundo gira, o teto lhe aparece de repente.
"Esse tom de azul é tão lindo"
Silêncio, felicidade...
... hora de dormir.

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