quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Nosso ar

- Anda tão dificil.
- O que?
- Respirar.
- Como assim? Você está vivo, não? Logo então, respira. Não ouço ruído, então respira bem.
- Você não entendeu.
- O que?
- Anda dificil respirar, meu ar.
- Quer o meu?
- Não entendi.
(beija-o)

sábado, 27 de julho de 2013

Podia ser eterno, mas é terno, e só.


O sol latente em sua face, bochechas rosadas pelo calor do amanhecer. Você insiste em acreditar que consegue dormir mais na tentação de deixar esse dia morrer. O cheiro de café, cupcakes e leite morno, que você imagina que já tenha inundado o casarão. Aromas que dançam em sua mente insana, cheiros que lhe atiçam o palpitar do coração.

Tum, tum.

Levanta-se do conforto de sua cama e arrasta seus calcanhares até a cozinha dos fundos. Não tem certeza do que encontrará, mas sabe que o fará feliz.

Sua família reunida em volta da mesa velha, que foi a velha da sua avó que comprou; talheres batendo a mesa, copos e xícaras passados para lá e para cá com movimentos instantâneos. Todos riam e sorriam quando te veem, mas continuam em sua conversa animada, ou com suas broncas às crianças, que insistem em fazer de aviãozinho a broa fresca disposta sobre a mesa. Percebe que há uma cadeira desocupada, e, ao sentar-se, prontamente recebe cupcakes e um "pingado", entregues com carinho por sua mãe.

Tum.


Sua mãe já não está tão jovem como antes, mas ainda sim era a mulher mais linda do mundo. E seu sorriso, cativante faz com que você se sinta protegido. Para ti, Perséfone teria inveja da progenitora que você continua olhando. E então, desvia sua atenção aos gêmeos que choram escandalosamente, culpando um ao outro por terem derrubado o suco na mesa. Por alguma razão, em seu âmago, você sabe que os dois foram responsáveis pela toalha suja. E ao mesmo tempo, percebe que a família inteira tem a mesma impressão. Enquanto os gêmeos fazem sua cena, seus tios seguram-se para não rir, e sua tia, mãe deles, arranca-os de seus assentos, e os leva para sala pela orelha.

Tum-tum. ----------------------

Por fim, o café da manhã transcorre com mais calma. Você, apesar de todos já terem se levantado, continua na mesa com seu ultimo bolinho, de chocolate com morango. Os homens foram para a sala, com seus cigarros e assuntos do qual você não está nada inteirado. Já as mulheres vão para o quarto, com suas bolsas e celulares, e assuntos que você não esta nada interessado. Porém, sua mãe continua na cozinha, tirando a mesa e juntando louça na pia; quando arranja um tempinho, te olha de soslaio, e quando você se dá conta, uma felicidade estupenda invadiu aquele lugar onde deveria estar seu coração.

- Mãe?
- Diga, filho!- Responde prontamente com usa voz acolhedora, e seus olho se desviando da mesa, em direção aos seus.

- Mãe, eu ja lhe disse que te amo?

Ela ri.

- Na verdade, desde os seus dezesseis anos, acho que nunca mais ouvi essas palavras. E isso já faz quanto tempo? Dois anos?

- Sim mãe.

Mais um sorriso.

- Meu menininho está um homem já, grande demais para lembrar-se de dizer que me ama!

- Mãe... Eu te amo, viu?! É que eu ando atarefado, esqueço até de mim, mas te amo. Mesmo que não diga.

Ela para abruptamente de guardar as coisas, vem até você, e o abraça, fazendo você sentir que é um garoto de, no máximo, onze anos. E com um sussurro lhe diz:
- Eu sei querido. Eu sempre saberei, e sempre estarei aqui, para o que precisar.

Ela termina o abraço, enquanto você se percebe com lágrimas nos olhos. Você termina seu cupcake, e sua mãe prontamente pergunta se ela pode pegar o copo, levando sua mão em direção à ele.

- Não mãe! Não é necessário, deixe que eu lav...

Você tenta terminar a frase, mas quando suas mãos, a sua e a de sua mãe, tocam o copo, ele cai da mesa. E, por algum motivo, você consegue ver detalhadamente o momento em que ele toca o chão, e explode em centenas de cacos, espalhando-se pelo chão da cozinha.

Seu peito dói de maneira constante, e tudo começa a ser repassado em sua cabeça. O sol, os aromas, a algazarra familiar, os primos briguentos. Porem, mais algumas cenas são adicionadas à essa coletânea: Um carro, uma estrada, sua mãe rindo e sorrindo, um sentimento vazio, de solidão e tormento. A contramão. Um caminhão.


Você acorda com o sol batendo em sua cara, roupas rasgadas e silêncio. O único aroma que consegue sentir é o cheiro do mofo, que já toma o ar da casa a alguns meses, e você não está nem um pouco disposto a limpar aquela casa vazia e triste.

"...e sempre estarei aqui, para o que precisar."

Mentira.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Apague essa maldita luz do dia. Acenda as estrelas azuis.

Cento e quarenta e oito cigarros , vinte e três latas de cerveja, três garrafas de tequila, e oito bolinhas amassadas de sentimentos. Até agora, seis baratas já caminharam em meio a sujeira, senão mais, sendo que Smith não vê como poderia conta-las enquanto dorme.
São quatro da tarde, porem, em consequência  de uma cortina azul-marinho, comprada impulsivamente em uma feira Hippie, bordada com dezenas de estrelas brancas, o quarto de Smith é banhado por uma espécie de aura calma e doce. Isso o incomoda. Sua alma já não sabe, ao certo, o que é a paz desde que entrou neste quarto.
Já sua mão, tateia o lápis pela ultima vez, tentando escrever algo que sua mente insana crie, e traga à ponta de seus dedos estes versos indizíveis. Porem, não sabe por quanto tempo conseguirá manter seu cérebro em pleno funcionamento. Ele ri deste paradoxo: finalmente sua mente consegue criar algo que seja bom, algo que está para expressar em palavras tudo o que ele sente. o "nada". Mas ao tempo em que isso acontece, a Linamarina já esta tomando suas veia.  Pensar nisso lhe causa gargalhadas. Gargalhadas profundas, e asmáticas. Tosse continuamente, mas não sem antes, entrar em mais uma crise de riso.
Seu corpo dói a cada contração. E finalmente, quando rir torna-se dolorosamente cruel para consigo, Smith obriga seu corpo a caminhar em direção ao outro lado no cômodo, onde habita sua cama, mas não sem antes sentir seus dedos esmagar uma de suas companheiras.
Menos uma baratinha para me perturbar nesse momento...- diz ironicamente. Senta-se em sua cama, quase sem forças, pega seu lápis em meio aos cigarros, e seu caderno.

"O dia e a noite,
O começo e o fim.
O medo e a coragem,
O mundo em mim.
O certo e o errado,
O não e o sim.
A prece e o pecado,
o suco e o Gim.
O coração poeta
e o pulmão de um "normal".
Uma alma incompleta,
enquanto mil se perdem no jornal.
O vagar incerto do boêmio em noites longas,
e o andar confiante do empresário e seus segredos.
O rabiscar incoerente de uma criança em seu caderno
e o correr de uma pena que ainda guarda medos.
O chão, a cama.
A calma, e a impaciência.
A agua e a chama.
O medo da decência.
Todos opostos,
todos ligados,
Todos em mim.
Não mais...."

Cabeça dói, corpo também. O lápis cai, e mistura-se novamente aos cigarros. O mundo gira, o teto lhe aparece de repente.
"Esse tom de azul é tão lindo"
Silêncio, felicidade...
... hora de dormir.

sábado, 25 de maio de 2013

De pouquinho em pouquinho, a gente volta a rabiscar algumas coisas...

Ele começa a escrever. Começa assim simples, como uma simples historia. Tema? Hm... Romance. Romance adolescente? Clichê demais. Nada de ficção científica. Nada de vampiros ou qualquer outra viagem de gente drogada. Nem bruxos. Não faz o gênero de escrita dele. São apenas contos. Ou melhor, crônicas. Eventos cotidianos, curtos ou longos, colocados no papel. Pensa nos personagens. Primeiro, a menina: ela é linda. Nada que chame atenção demais. Uma beleza simples, e charmosa. Aquela menina cujo qual sempre olham com carinho. Morena, olhos... Olhso claros! Não. Castanhos. Castanho é uma boa cor. Uma ótima cor. Faz com que haja mistério. Olhos castanhos com certeza. Seu nome? Um nome doce... Encantador. Ana? Melissa? Clarice.... Ana Clara.  "É... Encantador".
Agora ele: Garoto problema? Clichê. Câncer?! Não muito John Green. Talvez a idade.... Não. Pedro Bandeira, "Amor Impossível, Possível Amor". Ele podia ser imaginário. E ela louca. Ela podia viver em um mundo fantasioso que se passa dentro da cabeça dela. Ou ela, na verdade, é uma criação de um "ele". Um cara que foi internado e pensa conhecer uma menina, que pensa que conhece.... O mundo. O mundo no papel. Todos os pensamentos em um único papel. Basta só escrever. Mas não cabe... tudo se esvai: a inspiração e os personagens.

"Ah, foda-se, não quero mais escrever..."
(Papel amassado, conto nunca contado).

Guilherme Leite.