O
sol latente em sua face, bochechas rosadas pelo calor do amanhecer.
Você insiste em acreditar que consegue dormir mais na tentação de deixar
esse dia morrer. O cheiro de café, cupcakes e leite morno, que você
imagina que já tenha inundado o casarão. Aromas que dançam em sua mente
insana, cheiros que lhe atiçam o palpitar do coração.
Tum, tum.
Levanta-se do conforto de sua cama e arrasta seus calcanhares até a cozinha dos fundos. Não tem certeza do que encontrará, mas sabe que o fará feliz.
Sua família reunida em volta da mesa velha, que foi a velha da sua avó que comprou; talheres batendo a mesa, copos e xícaras passados para lá e para cá com movimentos instantâneos. Todos riam e sorriam quando te veem, mas continuam em sua conversa animada, ou com suas broncas às crianças, que insistem em fazer de aviãozinho a broa fresca disposta sobre a mesa. Percebe que há uma cadeira desocupada, e, ao sentar-se, prontamente recebe cupcakes e um "pingado", entregues com carinho por sua mãe.
Tum.
Sua mãe já não está tão jovem como antes, mas ainda sim era a mulher mais linda do mundo. E seu sorriso, cativante faz com que você se sinta protegido. Para ti, Perséfone teria inveja da progenitora que você continua olhando. E então, desvia sua atenção aos gêmeos que choram escandalosamente, culpando um ao outro por terem derrubado o suco na mesa. Por alguma razão, em seu âmago, você sabe que os dois foram responsáveis pela toalha suja. E ao mesmo tempo, percebe que a família inteira tem a mesma impressão. Enquanto os gêmeos fazem sua cena, seus tios seguram-se para não rir, e sua tia, mãe deles, arranca-os de seus assentos, e os leva para sala pela orelha.
Tum-tum. ----------------------
Por fim, o café da manhã transcorre com mais calma. Você, apesar de todos já terem se levantado, continua na mesa com seu ultimo bolinho, de chocolate com morango. Os homens foram para a sala, com seus cigarros e assuntos do qual você não está nada inteirado. Já as mulheres vão para o quarto, com suas bolsas e celulares, e assuntos que você não esta nada interessado. Porém, sua mãe continua na cozinha, tirando a mesa e juntando louça na pia; quando arranja um tempinho, te olha de soslaio, e quando você se dá conta, uma felicidade estupenda invadiu aquele lugar onde deveria estar seu coração.
- Mãe?
- Diga, filho!- Responde prontamente com usa voz acolhedora, e seus olho se desviando da mesa, em direção aos seus.
- Mãe, eu ja lhe disse que te amo?
Ela ri.
- Na verdade, desde os seus dezesseis anos, acho que nunca mais ouvi essas palavras. E isso já faz quanto tempo? Dois anos?
- Sim mãe.
Mais um sorriso.
- Meu menininho está um homem já, grande demais para lembrar-se de dizer que me ama!
- Mãe... Eu te amo, viu?! É que eu ando atarefado, esqueço até de mim, mas te amo. Mesmo que não diga.
Ela para abruptamente de guardar as coisas, vem até você, e o abraça, fazendo você sentir que é um garoto de, no máximo, onze anos. E com um sussurro lhe diz:
- Eu sei querido. Eu sempre saberei, e sempre estarei aqui, para o que precisar.
Ela termina o abraço, enquanto você se percebe com lágrimas nos olhos. Você termina seu cupcake, e sua mãe prontamente pergunta se ela pode pegar o copo, levando sua mão em direção à ele.
- Não mãe! Não é necessário, deixe que eu lav...
Você tenta terminar a frase, mas quando suas mãos, a sua e a de sua mãe, tocam o copo, ele cai da mesa. E, por algum motivo, você consegue ver detalhadamente o momento em que ele toca o chão, e explode em centenas de cacos, espalhando-se pelo chão da cozinha.
Seu peito dói de maneira constante, e tudo começa a ser repassado em sua cabeça. O sol, os aromas, a algazarra familiar, os primos briguentos. Porem, mais algumas cenas são adicionadas à essa coletânea: Um carro, uma estrada, sua mãe rindo e sorrindo, um sentimento vazio, de solidão e tormento. A contramão. Um caminhão.
Você acorda com o sol batendo em sua cara, roupas rasgadas e silêncio. O único aroma que consegue sentir é o cheiro do mofo, que já toma o ar da casa a alguns meses, e você não está nem um pouco disposto a limpar aquela casa vazia e triste.
"...e sempre estarei aqui, para o que precisar."
Mentira.
Tum, tum.
Levanta-se do conforto de sua cama e arrasta seus calcanhares até a cozinha dos fundos. Não tem certeza do que encontrará, mas sabe que o fará feliz.
Sua família reunida em volta da mesa velha, que foi a velha da sua avó que comprou; talheres batendo a mesa, copos e xícaras passados para lá e para cá com movimentos instantâneos. Todos riam e sorriam quando te veem, mas continuam em sua conversa animada, ou com suas broncas às crianças, que insistem em fazer de aviãozinho a broa fresca disposta sobre a mesa. Percebe que há uma cadeira desocupada, e, ao sentar-se, prontamente recebe cupcakes e um "pingado", entregues com carinho por sua mãe.
Tum.
Sua mãe já não está tão jovem como antes, mas ainda sim era a mulher mais linda do mundo. E seu sorriso, cativante faz com que você se sinta protegido. Para ti, Perséfone teria inveja da progenitora que você continua olhando. E então, desvia sua atenção aos gêmeos que choram escandalosamente, culpando um ao outro por terem derrubado o suco na mesa. Por alguma razão, em seu âmago, você sabe que os dois foram responsáveis pela toalha suja. E ao mesmo tempo, percebe que a família inteira tem a mesma impressão. Enquanto os gêmeos fazem sua cena, seus tios seguram-se para não rir, e sua tia, mãe deles, arranca-os de seus assentos, e os leva para sala pela orelha.
Tum-tum. ----------------------
Por fim, o café da manhã transcorre com mais calma. Você, apesar de todos já terem se levantado, continua na mesa com seu ultimo bolinho, de chocolate com morango. Os homens foram para a sala, com seus cigarros e assuntos do qual você não está nada inteirado. Já as mulheres vão para o quarto, com suas bolsas e celulares, e assuntos que você não esta nada interessado. Porém, sua mãe continua na cozinha, tirando a mesa e juntando louça na pia; quando arranja um tempinho, te olha de soslaio, e quando você se dá conta, uma felicidade estupenda invadiu aquele lugar onde deveria estar seu coração.
- Mãe?
- Diga, filho!- Responde prontamente com usa voz acolhedora, e seus olho se desviando da mesa, em direção aos seus.
- Mãe, eu ja lhe disse que te amo?
Ela ri.
- Na verdade, desde os seus dezesseis anos, acho que nunca mais ouvi essas palavras. E isso já faz quanto tempo? Dois anos?
- Sim mãe.
Mais um sorriso.
- Meu menininho está um homem já, grande demais para lembrar-se de dizer que me ama!
- Mãe... Eu te amo, viu?! É que eu ando atarefado, esqueço até de mim, mas te amo. Mesmo que não diga.
Ela para abruptamente de guardar as coisas, vem até você, e o abraça, fazendo você sentir que é um garoto de, no máximo, onze anos. E com um sussurro lhe diz:
- Eu sei querido. Eu sempre saberei, e sempre estarei aqui, para o que precisar.
Ela termina o abraço, enquanto você se percebe com lágrimas nos olhos. Você termina seu cupcake, e sua mãe prontamente pergunta se ela pode pegar o copo, levando sua mão em direção à ele.
- Não mãe! Não é necessário, deixe que eu lav...
Você tenta terminar a frase, mas quando suas mãos, a sua e a de sua mãe, tocam o copo, ele cai da mesa. E, por algum motivo, você consegue ver detalhadamente o momento em que ele toca o chão, e explode em centenas de cacos, espalhando-se pelo chão da cozinha.
Seu peito dói de maneira constante, e tudo começa a ser repassado em sua cabeça. O sol, os aromas, a algazarra familiar, os primos briguentos. Porem, mais algumas cenas são adicionadas à essa coletânea: Um carro, uma estrada, sua mãe rindo e sorrindo, um sentimento vazio, de solidão e tormento. A contramão. Um caminhão.
Você acorda com o sol batendo em sua cara, roupas rasgadas e silêncio. O único aroma que consegue sentir é o cheiro do mofo, que já toma o ar da casa a alguns meses, e você não está nem um pouco disposto a limpar aquela casa vazia e triste.
"...e sempre estarei aqui, para o que precisar."
Mentira.