Poderia chover,
E deveríamos nos encontrar na chuva.
Como no primeiro dia,
Ou no fim de nossos tempos.
Deveria chover,
E quem sabe eu me encontro na chuva.
Recomeçar os meus dias,
Já se passou muito tempo.
Adoraria que chovesse,
Gostaria de um bom banho de chuva.
Fazer de hoje o grande dia,
Que já não recordo os velhos tempo.
Gostaria que chovesse,
E tu podias ser chuva.
Banhar-me mais uma vez do aroma,
Que mataria a saudade daquele tempo.
Mas hoje não há de chover,
hoje não há de ter chuva.
Não voltarás nem por decreto,
Não estamos mais naqueles tempos.
Sobre Canecas e Chás
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Mariposas Brancas.
Primeiramente, surgiram os olho claros, o rosto suave,o sorriso irônico, junto com as mariposas brancas no estômago e o palpitar acelerado e desorientado de um coração, que momentos antes, não existira. Talvez por esse motivo, Demétrio não tenha evitado o olhar interessado e jogador de Clara. Ao tempo em que seus olhos fitavam e analisavam os olhos azuis profundos de tão bela mulher, seu coração palpitava como nunca antes fizera, transformando tudo ao seu redor em uma pseudo-realidade, onde Clara é e sempre será sua parceira.
[...]
- Me abrace?
- Não posso
[...]
Mulher de corpo esguio, voz suave, boca meiga. Mulher.... Mulher independente, dona do mundo, e de sábia razão. De sua boca, infelizmente, não saíra as palavras que consolariam o coração de Demétrio, que ja não sabia o verdadeiro significado de razão a muito tempo.
[...] - Me ame?
- Jamais.
- Me beije, ou ao menos, deixe-me te conduzir nesta noite?
- Diversão...
[...]
O cheiro de sexo era mais que evidente naquele quarto. O som de dois corpos se misturando em meio ao suor e ao prazer propagava-se facilmente. Porém, o verdadeiro palpitar ecoava apenas de um coração.
[...]
- Bom dia!
- Okay.
- Voce esta bem, Clara?
- Talvez.
- Quer ajuda?
- Não pedi.
- Por qual motivo voce me despreza, mesmo?!
- Voce quis assim.
- Não pedi por isso!
- Pediu por mim.
- E?
- Pedir por mim é o mesmo que pedir pelo que voce esta tendo.
- Que seria?
- O que lhe é digno, já que não pedi para ser amada...
- E eu? Eu não pedi para amar voce, okay? Mas mesmo assim...
- Cale-se. Isto não faz parte de meus problemas.
[...]
Canecos de leite quente anseiam poder esquentar o corpo, pães frescos preencherão o vazio. E após o café, um banho frio, na tentativa de calar este palpitar, vindo de algum lugar do peito.
[...]
- Estou partindo, Demetrio.
- Voltará?
- Não vejo razão.
- E vai partir por falta de motivos?
- Não, partirei pois me cansei.
- Espere...
- Diga de uma vez.
- Voce me ama?
- Demetrio, Demetrio. Realmente acredita nestas três palavras dementes e insensatas?
- E você não?
- Deixei de crer. Mas admito que voce foi legal.
- A culpa é minha?
- Não.
- Te perdi?
- Nunca teve.
- Mas voce disse que...
- Foi um erro.
- Me contar?
- Ficar com você
- Não entendo
- Não queira.
- Eu te amo, Clara, eu te...
- Não é problema meu, e ponto. Agora, estou saindo, seja feliz.
- Mas...
- Adeus.
[...]
Em seu estômago, um amontoado de mariposas mortas estava para ser digerido. Os olhos e o belo rosto visto de modo tão angelicais antes, agora eram vistos como a face da perdição. E o lugar onde palpitara um coração, agora era apenas mais um galpão aos dispor de qualquer aproveitador que queira nele morar.
[...]
- Me abrace?
- Não posso
[...]
Mulher de corpo esguio, voz suave, boca meiga. Mulher.... Mulher independente, dona do mundo, e de sábia razão. De sua boca, infelizmente, não saíra as palavras que consolariam o coração de Demétrio, que ja não sabia o verdadeiro significado de razão a muito tempo.
[...] - Me ame?
- Jamais.
- Me beije, ou ao menos, deixe-me te conduzir nesta noite?
- Diversão...
[...]
O cheiro de sexo era mais que evidente naquele quarto. O som de dois corpos se misturando em meio ao suor e ao prazer propagava-se facilmente. Porém, o verdadeiro palpitar ecoava apenas de um coração.
[...]
- Bom dia!
- Okay.
- Voce esta bem, Clara?
- Talvez.
- Quer ajuda?
- Não pedi.
- Por qual motivo voce me despreza, mesmo?!
- Voce quis assim.
- Não pedi por isso!
- Pediu por mim.
- E?
- Pedir por mim é o mesmo que pedir pelo que voce esta tendo.
- Que seria?
- O que lhe é digno, já que não pedi para ser amada...
- E eu? Eu não pedi para amar voce, okay? Mas mesmo assim...
- Cale-se. Isto não faz parte de meus problemas.
[...]
Canecos de leite quente anseiam poder esquentar o corpo, pães frescos preencherão o vazio. E após o café, um banho frio, na tentativa de calar este palpitar, vindo de algum lugar do peito.
[...]
- Estou partindo, Demetrio.
- Voltará?
- Não vejo razão.
- E vai partir por falta de motivos?
- Não, partirei pois me cansei.
- Espere...
- Diga de uma vez.
- Voce me ama?
- Demetrio, Demetrio. Realmente acredita nestas três palavras dementes e insensatas?
- E você não?
- Deixei de crer. Mas admito que voce foi legal.
- A culpa é minha?
- Não.
- Te perdi?
- Nunca teve.
- Mas voce disse que...
- Foi um erro.
- Me contar?
- Ficar com você
- Não entendo
- Não queira.
- Eu te amo, Clara, eu te...
- Não é problema meu, e ponto. Agora, estou saindo, seja feliz.
- Mas...
- Adeus.
[...]
Em seu estômago, um amontoado de mariposas mortas estava para ser digerido. Os olhos e o belo rosto visto de modo tão angelicais antes, agora eram vistos como a face da perdição. E o lugar onde palpitara um coração, agora era apenas mais um galpão aos dispor de qualquer aproveitador que queira nele morar.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Nosso ar
- Anda tão dificil.
- O que?
- Respirar.
- Como assim? Você está vivo, não? Logo então, respira. Não ouço ruído, então respira bem.
- Você não entendeu.
- O que?
- Anda dificil respirar, meu ar.
- Quer o meu?
- Não entendi.
(beija-o)
- O que?
- Respirar.
- Como assim? Você está vivo, não? Logo então, respira. Não ouço ruído, então respira bem.
- Você não entendeu.
- O que?
- Anda dificil respirar, meu ar.
- Quer o meu?
- Não entendi.
(beija-o)
sábado, 27 de julho de 2013
Podia ser eterno, mas é terno, e só.
O
sol latente em sua face, bochechas rosadas pelo calor do amanhecer.
Você insiste em acreditar que consegue dormir mais na tentação de deixar
esse dia morrer. O cheiro de café, cupcakes e leite morno, que você
imagina que já tenha inundado o casarão. Aromas que dançam em sua mente
insana, cheiros que lhe atiçam o palpitar do coração.
Tum, tum.
Levanta-se do conforto de sua cama e arrasta seus calcanhares até a cozinha dos fundos. Não tem certeza do que encontrará, mas sabe que o fará feliz.
Sua família reunida em volta da mesa velha, que foi a velha da sua avó que comprou; talheres batendo a mesa, copos e xícaras passados para lá e para cá com movimentos instantâneos. Todos riam e sorriam quando te veem, mas continuam em sua conversa animada, ou com suas broncas às crianças, que insistem em fazer de aviãozinho a broa fresca disposta sobre a mesa. Percebe que há uma cadeira desocupada, e, ao sentar-se, prontamente recebe cupcakes e um "pingado", entregues com carinho por sua mãe.
Tum.
Sua mãe já não está tão jovem como antes, mas ainda sim era a mulher mais linda do mundo. E seu sorriso, cativante faz com que você se sinta protegido. Para ti, Perséfone teria inveja da progenitora que você continua olhando. E então, desvia sua atenção aos gêmeos que choram escandalosamente, culpando um ao outro por terem derrubado o suco na mesa. Por alguma razão, em seu âmago, você sabe que os dois foram responsáveis pela toalha suja. E ao mesmo tempo, percebe que a família inteira tem a mesma impressão. Enquanto os gêmeos fazem sua cena, seus tios seguram-se para não rir, e sua tia, mãe deles, arranca-os de seus assentos, e os leva para sala pela orelha.
Tum-tum. ----------------------
Por fim, o café da manhã transcorre com mais calma. Você, apesar de todos já terem se levantado, continua na mesa com seu ultimo bolinho, de chocolate com morango. Os homens foram para a sala, com seus cigarros e assuntos do qual você não está nada inteirado. Já as mulheres vão para o quarto, com suas bolsas e celulares, e assuntos que você não esta nada interessado. Porém, sua mãe continua na cozinha, tirando a mesa e juntando louça na pia; quando arranja um tempinho, te olha de soslaio, e quando você se dá conta, uma felicidade estupenda invadiu aquele lugar onde deveria estar seu coração.
- Mãe?
- Diga, filho!- Responde prontamente com usa voz acolhedora, e seus olho se desviando da mesa, em direção aos seus.
- Mãe, eu ja lhe disse que te amo?
Ela ri.
- Na verdade, desde os seus dezesseis anos, acho que nunca mais ouvi essas palavras. E isso já faz quanto tempo? Dois anos?
- Sim mãe.
Mais um sorriso.
- Meu menininho está um homem já, grande demais para lembrar-se de dizer que me ama!
- Mãe... Eu te amo, viu?! É que eu ando atarefado, esqueço até de mim, mas te amo. Mesmo que não diga.
Ela para abruptamente de guardar as coisas, vem até você, e o abraça, fazendo você sentir que é um garoto de, no máximo, onze anos. E com um sussurro lhe diz:
- Eu sei querido. Eu sempre saberei, e sempre estarei aqui, para o que precisar.
Ela termina o abraço, enquanto você se percebe com lágrimas nos olhos. Você termina seu cupcake, e sua mãe prontamente pergunta se ela pode pegar o copo, levando sua mão em direção à ele.
- Não mãe! Não é necessário, deixe que eu lav...
Você tenta terminar a frase, mas quando suas mãos, a sua e a de sua mãe, tocam o copo, ele cai da mesa. E, por algum motivo, você consegue ver detalhadamente o momento em que ele toca o chão, e explode em centenas de cacos, espalhando-se pelo chão da cozinha.
Seu peito dói de maneira constante, e tudo começa a ser repassado em sua cabeça. O sol, os aromas, a algazarra familiar, os primos briguentos. Porem, mais algumas cenas são adicionadas à essa coletânea: Um carro, uma estrada, sua mãe rindo e sorrindo, um sentimento vazio, de solidão e tormento. A contramão. Um caminhão.
Você acorda com o sol batendo em sua cara, roupas rasgadas e silêncio. O único aroma que consegue sentir é o cheiro do mofo, que já toma o ar da casa a alguns meses, e você não está nem um pouco disposto a limpar aquela casa vazia e triste.
"...e sempre estarei aqui, para o que precisar."
Mentira.
Tum, tum.
Levanta-se do conforto de sua cama e arrasta seus calcanhares até a cozinha dos fundos. Não tem certeza do que encontrará, mas sabe que o fará feliz.
Sua família reunida em volta da mesa velha, que foi a velha da sua avó que comprou; talheres batendo a mesa, copos e xícaras passados para lá e para cá com movimentos instantâneos. Todos riam e sorriam quando te veem, mas continuam em sua conversa animada, ou com suas broncas às crianças, que insistem em fazer de aviãozinho a broa fresca disposta sobre a mesa. Percebe que há uma cadeira desocupada, e, ao sentar-se, prontamente recebe cupcakes e um "pingado", entregues com carinho por sua mãe.
Tum.
Sua mãe já não está tão jovem como antes, mas ainda sim era a mulher mais linda do mundo. E seu sorriso, cativante faz com que você se sinta protegido. Para ti, Perséfone teria inveja da progenitora que você continua olhando. E então, desvia sua atenção aos gêmeos que choram escandalosamente, culpando um ao outro por terem derrubado o suco na mesa. Por alguma razão, em seu âmago, você sabe que os dois foram responsáveis pela toalha suja. E ao mesmo tempo, percebe que a família inteira tem a mesma impressão. Enquanto os gêmeos fazem sua cena, seus tios seguram-se para não rir, e sua tia, mãe deles, arranca-os de seus assentos, e os leva para sala pela orelha.
Tum-tum. ----------------------
Por fim, o café da manhã transcorre com mais calma. Você, apesar de todos já terem se levantado, continua na mesa com seu ultimo bolinho, de chocolate com morango. Os homens foram para a sala, com seus cigarros e assuntos do qual você não está nada inteirado. Já as mulheres vão para o quarto, com suas bolsas e celulares, e assuntos que você não esta nada interessado. Porém, sua mãe continua na cozinha, tirando a mesa e juntando louça na pia; quando arranja um tempinho, te olha de soslaio, e quando você se dá conta, uma felicidade estupenda invadiu aquele lugar onde deveria estar seu coração.
- Mãe?
- Diga, filho!- Responde prontamente com usa voz acolhedora, e seus olho se desviando da mesa, em direção aos seus.
- Mãe, eu ja lhe disse que te amo?
Ela ri.
- Na verdade, desde os seus dezesseis anos, acho que nunca mais ouvi essas palavras. E isso já faz quanto tempo? Dois anos?
- Sim mãe.
Mais um sorriso.
- Meu menininho está um homem já, grande demais para lembrar-se de dizer que me ama!
- Mãe... Eu te amo, viu?! É que eu ando atarefado, esqueço até de mim, mas te amo. Mesmo que não diga.
Ela para abruptamente de guardar as coisas, vem até você, e o abraça, fazendo você sentir que é um garoto de, no máximo, onze anos. E com um sussurro lhe diz:
- Eu sei querido. Eu sempre saberei, e sempre estarei aqui, para o que precisar.
Ela termina o abraço, enquanto você se percebe com lágrimas nos olhos. Você termina seu cupcake, e sua mãe prontamente pergunta se ela pode pegar o copo, levando sua mão em direção à ele.
- Não mãe! Não é necessário, deixe que eu lav...
Você tenta terminar a frase, mas quando suas mãos, a sua e a de sua mãe, tocam o copo, ele cai da mesa. E, por algum motivo, você consegue ver detalhadamente o momento em que ele toca o chão, e explode em centenas de cacos, espalhando-se pelo chão da cozinha.
Seu peito dói de maneira constante, e tudo começa a ser repassado em sua cabeça. O sol, os aromas, a algazarra familiar, os primos briguentos. Porem, mais algumas cenas são adicionadas à essa coletânea: Um carro, uma estrada, sua mãe rindo e sorrindo, um sentimento vazio, de solidão e tormento. A contramão. Um caminhão.
Você acorda com o sol batendo em sua cara, roupas rasgadas e silêncio. O único aroma que consegue sentir é o cheiro do mofo, que já toma o ar da casa a alguns meses, e você não está nem um pouco disposto a limpar aquela casa vazia e triste.
"...e sempre estarei aqui, para o que precisar."
Mentira.
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