Primeiramente, surgiram os olho claros, o rosto suave,o sorriso irônico, junto com as mariposas brancas no estômago e o palpitar acelerado e desorientado de um coração, que momentos antes, não existira. Talvez por esse motivo, Demétrio não tenha evitado o olhar interessado e jogador de Clara. Ao tempo em que seus olhos fitavam e analisavam os olhos azuis profundos de tão bela mulher, seu coração palpitava como nunca antes fizera, transformando tudo ao seu redor em uma pseudo-realidade, onde Clara é e sempre será sua parceira.
[...]
- Me abrace?
- Não posso
[...]
Mulher de corpo esguio, voz suave, boca meiga. Mulher.... Mulher independente, dona do mundo, e de sábia razão. De sua boca, infelizmente, não saíra as palavras que consolariam o coração de Demétrio, que ja não sabia o verdadeiro significado de razão a muito tempo.
[...]
- Me ame?
- Jamais.
- Me beije, ou ao menos, deixe-me te conduzir nesta noite?
- Diversão...
[...]
O cheiro de sexo era mais que evidente naquele quarto. O som de dois corpos se misturando em meio ao suor e ao prazer propagava-se facilmente. Porém, o verdadeiro palpitar ecoava apenas de um coração.
[...]
- Bom dia!
- Okay.
- Voce esta bem, Clara?
- Talvez.
- Quer ajuda?
- Não pedi.
- Por qual motivo voce me despreza, mesmo?!
- Voce quis assim.
- Não pedi por isso!
- Pediu por mim.
- E?
- Pedir por mim é o mesmo que pedir pelo que voce esta tendo.
- Que seria?
- O que lhe é digno, já que não pedi para ser amada...
- E eu? Eu não pedi para amar voce, okay? Mas mesmo assim...
- Cale-se. Isto não faz parte de meus problemas.
[...]
Canecos de leite quente anseiam poder esquentar o corpo, pães frescos preencherão o vazio. E após o café, um banho frio, na tentativa de calar este palpitar, vindo de algum lugar do peito.
[...]
- Estou partindo, Demetrio.
- Voltará?
- Não vejo razão.
- E vai partir por falta de motivos?
- Não, partirei pois me cansei.
- Espere...
- Diga de uma vez.
- Voce me ama?
- Demetrio, Demetrio. Realmente acredita nestas três palavras dementes e insensatas?
- E você não?
- Deixei de crer. Mas admito que voce foi legal.
- A culpa é minha?
- Não.
- Te perdi?
- Nunca teve.
- Mas voce disse que...
- Foi um erro.
- Me contar?
- Ficar com você
- Não entendo
- Não queira.
- Eu te amo, Clara, eu te...
- Não é problema meu, e ponto. Agora, estou saindo, seja feliz.
- Mas...
- Adeus.
[...]
Em seu estômago, um amontoado de mariposas mortas estava para ser digerido. Os olhos e o belo rosto visto de modo tão angelicais antes, agora eram vistos como a face da perdição. E o lugar onde palpitara um coração, agora era apenas mais um galpão aos dispor de qualquer aproveitador que queira nele morar.
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